Este documento tem por objetivo contribuir para construção de um material histórico da CONCLAEA, bem como, para a continuidade dos debates realizados no XVIII Claceea.
Sua elaboração foi baseada nos relatos dos painéis, mesas de debate e grupos de discussão.
Não trará em seu conteúdo textos completos das discussões, mas alguns pontos importantes que foram anotados pelo conjunto da relatoria e coordenação dos grupos de discussão, portanto, construído coletivamente por todo/as o/as militantes que participaram deste Congresso e contribuíram para a história da CONCLAEA.
Temos, enquanto CONCLEA, o desafio de a partir desta sistematização do nosso Congresso, dar continuidade no debate nas escolas, nos coletivos organizados e superar os desafios para nós colocados neste momento.
Seguimos na luta por um mundo igualitário, sem fronteiras que dividam o/as trabalhadore/as e pela liberdade plena.
GLOBALIZEMOS A LUTA!!!
GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA!!!!!
Confederação Caribenha e Latino Americana de Estudantes de Agronomia - CONCLAEA
XVIII Congresso Latino Americano e Caribenho de Entidades Estudantis de Agronomia - ClACEEA
Curitiba, 13 a 26 de janeiro de 2007
O Clacea Ocorreu na Escola Latino Americana de Agroecologia, localizada na cidade da Lapa no estado do Paraná-Brasil. Contou com a participação de companheiros e companheiras da Argetina, Uruguai, Brasil, Colômbia e México. Ao todo foram mais de sem participantes.
Escola Latino Americana de Agroecologia - ELAAA ELAA tem sua sede no Assentamento Contestado, Lapa, Paraná, Brasil.
Um pouco de história:
Em 27 de agosto de 2005, os campesinos e campesinas da América Latina conquistavam mais um instrumento na luta pela construção de uma nova matriz de produção, baseada na agroecologia e na preservação da biodiversidade. Era inaugurada a Iª Escola Latino-Americana de Agroecologia (ELAA) do continente, localizada no assentamento Contestado, município da Lapa, no Paraná
A ELAA foi criada em parceria entre a Via Campesina, governo da Venezuela, governo do Paraná, Universidade Federal do Paraná - UFPR e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O objetivo é formar pedagogos e pedagogas em agroecologia que, juntamente com os camponeses irão contribuir para o avanço da agroecologia no campo. Os estudantes são filhos de camponeses e assentados, ligados aos movimentos que integram a Via Campesina, na América Latina.
A construção da Escola tem sido fundamental para fortalecer a articulação da Via Campesina Latino Americana, na preparaçao de jovens de vários movimentos socais para atuar nas comunidades onde vivem.
Programação do XVIII Claceea:
12/01
MANHA: Recebimento das delegações
TARDE: Recebimento das delegações
NOITE: Abertura do Congresso
13/01
MANHA: Painel I - Estratégias do Capital para A.L
TARDE: Grupos de discussão
NOITE: Comitê CONCLAEA
14/01
MANHA: Painel II - Resistência Popular
TARDE: Grupos de discussão
NOITE: Comitê CONCLAEA
15/01
MANHA: Mesa de debate Soberania Alimentar e Agroecologia
TARDE: Apresentação da ELAA - Oficinas
NOITE: Comitê CONCLAEA
16/01
MANHA: Intercambio de experiências
TARDE: Intercambio de experiências
NOITE: Comitê CONCLAEA
17/01
MANHA: Painel III - CONCLAEA – Histórico e perspectivas
TARDE: Grupos de discussão
NOITE: Comitê CONCLAEA
18/01
MANHA: Plenária Final
TARDE: Plenária Final
NOITE: Comitê CONCLAEA
12 de janeiro
Durante o dia 12 as delegações chegaram ao Brasil, algumas anteciparam-se chegando antes, e a delegação do Brasil já estava no local do congresso. Este dia foi destinado para acomodação das delegações, inscrições, conversas entre as pessoas que chegavam e integração.
Durante a noite realizou-se abertura do XVIII CLACEEA com muita animação, onde após a abertura, dançamos e confraternizamos em uma cultural.
Conjuntura dos países:
Argentina
Federaçao de Estudantes de Aglonomia de Argentina - FAEA
Com quem se articula¿ Movimiento Nacional Campesino Indígena (MNCI) e Frente Popular Dario Santillan (FPDS).
MNCI – composto por organizações campesinas MOCASE, MCC, União trabajadores sem tierra-Mendonza, MOCAMI, RED-PUNA-Rede de organizções indígenas, cooperativos, ONG´s, igrejas, é de JuJuy, Encontro Calchaqui - Salta, CERCUPO- Buenos Aires, mas trabalham em norte argentino. Estas organizações são as mais fortalecidas que compõem MNCI, pero tienen demás organizaciones.
Movimentos camponeses sao composto por campesinos em territórios de avanço de fronteira agrícola, frutas, pecuária, passando terra a ter maior interesse econômico. Composto por posseiros que chegaram se estabeleceram ha muito tempo. Em momento de divisão de terras em Argentina aparecem donos para estas propriedades, e então passam a usar estratégias para expulsar campesino/as, desde enganos até aparato policial de Estado.
Movimento camponês bastante dinâmico e processo de organizações ainda bastante inicial.
Em processo de formação de MNCI ocorreram diversas mudanças, antes tinha outro nome e também em seu processo de construção relação próxima com urbanos, houve pequena separação por um tempo e hoje estão construindo lutas unitárias com urbanos e compreendendo processo de luta em conjunto. MNCI tem este nome a um ano e não apenas mudou o nome como forma passou a ser mais multi setores e não por agremiações. Inicio de construção de um projeto político por diversos setores.
Movimento Campones de Cordoba (MCC) se organiza por 5 regiões, que estão em diferentes processos organizativos.
MOCASE é mais antigo com mais de 20 anos. UST tienen em torno de 5 anos de organização.
Frente Popular Dario Santillán
Anteriormente Movimento de Trabalhadores Desocupados (MTD), se constitui em 2001, a partir de 2003 depois de Morte de companheiro Dario em uma manifestação, começa a mudar sua forma e passa a ser Frente Popular com estratégia de alcançar diversos setores (campesinos, trabalhadores desempregados, trabalhadores de fabricas ocupadas, estudantes). Trabalha com assembléias populares em Comunidades, provicias e a nível nacional. Não participam partidos políticos na Frente. É uma frente ampliada por todo pais. Pratica real de contradição com capital se dá de forma mais rápida em meio urbano que no campo, o que leva a uma dinâmica mais rápida na Frente do que em MNCI.
Avanço de Agronegócio:
Missiones e Corrientes – Pinus. Empresas Perez Companc, e outras transnacionais estrangeiras.
Santiago Del Estero – Avanço da soja. Província onde mais se concentra campesino/as.
Córdoba – Avanço de gado e soja. Antes comunidades de campesino/as que trabalhavam para subsistência com carvão, cabritos, gado, mel, etc.
Mendonza – Avanço de frutas, grandes empresas Européias, produção de vinho. Havia problema com falta de água anteriormente, empresas roubam água de campesino/as apropriando-se de sistema de distribuição, como forma de desvalorizar suas terras e saquea-las.
Jujuy – Devastação de selva para plantação de soja.
Presença de Indígenas – Norte, Missiones, Formosa, Chaco, Jujuy, Salta. Sul-organizaciones Mapuches.
Actualmente: o discurso de gobernó Kirshner se mostrou mais progressista que habia sido da esquierda historicamente. Ao mesmo tempo, a direita fascista segue existindo, contra o governo. Hà setores da direita dentro do governo. A nivel de America Latina tem uma identificaçao com o governo de Chaves na Venezuela.
Frente Popular Dario Santillan e MNCI sao os movimentos mais consolidados que traçam uma analises critica frente ao governo. Existe uma identificaçao por partre de FAEA com estas organizaçoes.
No Movimento Estudantil nao hà uma unificaçao a nivel nacional. Ha processos diferentes pelos quais passam cada universidade. Existem articulaçoes a nivel regional para construir o movimento estudantil.
Brasil
Regiao Sul – Forte presença de agroindustrias de aves e suinos, plantaçoes de soja e monocultivos de arboreas.
Sudeste – grandes plantaçoes de cana de açucar e de frutas. Grandes projetos de irrigaçao atraves de barragens para areas do agronegocio.
Nordeste – Plantaçoes de cana de açucar, frutiferas irrigadas para exportaçao, transposiçao do Rio Sao Francisco para produçao de camarrao e irrigaçao de frutiferas (de grandes empresas).
Norte – Grande exploraçao da floresta amazonica por extrangeiros, derrubada da floresta para implantaçao de monocultivos e criaçao de gado.
Movimentos sociais: os movimentos urbanos se encontram bastante fragilizados, com uma grande fragmentaçao da esquerda, os sindicatos se encontram atuando de forma fragmentada e sem uma central que de conta de tocar lutas que aglutinem. Nao existe uma frente que aglutine, faça trabalho de base, nao hà movimento de bairros de forma expressiva.
Os movimentos camponeses que tem dado o tom nas lutas nacional atraves da articulaçao da Via Campesina, onde estao articulados o Movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST), Movimento de atingidos por barragens (MAB), Movimento de pequenos agricultores (MPA), Movimento de mulheres camponesas(MMC), Pastoral da juventude rural (PJR), Comissao pastoral da terra (CPT) e Federaçao de estudantes de agronomia (FEAB).
Na educaçao teve-se um forte avanço na mercantilizaçao com projeto do REUNI-2007 implementado pelo Governo Lula. Ocorreu um movimento de ocupaçao de reitorias. Tambem no ano de 2007 teve uma jornada de lutas unificada do campo e da cidade com o tema da educaçao, e ocupou-se as universidades em muitas provincias. As universidades de Agrarias estao totalmente atreladas ao Agronegocio, e suas pesquisas sao direcionadas para aumentar lucros de grandes empresas.
Com governo de Fernando Henrique Cardoso as privatizaçoes de bens publicos aumentam e governo Lula dá sequencia a essa politica. Com Plano de Aceleraçao do Crescimento (PAC) de governo Lula o agronegocio teve força para avançar ainda mais, projetos sociais sao de ordem assistencialista e de contensao das mobilizaçoes sociais, nao tem como proposta a organizaçao popular.
Em ultimo periodo no Brasil se realizaram grandes mobilizaçoes contra a Transposiçao do Rios Sao Francisco e pela reestatizaçao da Companhia Vale do Rio Doce, empresa vendida por Fernando Henrique Cardoso.
Colombia
O movimento estudantil secundarista esta se rearticulando e construindo lutas conjunta com universitários. Em 2007 foram realizadas marchas de mobilizaçao em várias cidades para colocar enfrentamento ao modelo neoliberal de educaçao. Movimento estudantil sofre criminalizaçao e acusaçoes de ter relaçao com as FARC, ELN, etc.
As FARC e ELN surgem ha mais ou menos 40 anos, primeiro tinha carater campones e depois passou a agregar intelectuais e estudantes. Governo nao adimite guerra civil e faz acusaçoes de terrorismo. Existem iniciativas de acordo humanitário, porem que respeitam o processo eleitoral.
Governo Uribe e meios de comunicaçao colocam discurso de “segurança nacional” para reprimir organizaçao popular. Popularidade de Uribe aumenta por usar de taticas como demonstrar interesse pela libertaçao de seuqestrados pela guerrilha.
A interferencia de governo Chaves foi boicotada por Uribes, pois isso permitiria o avanço de consciencia de uma esquerda mais progressista no país.
FEAC tem trabalhado com estudantes em cima do debate do curriculo academico que nao esta relacionado com o que sao as necessidades do povo Colombiano. Realizaram encontro nacional curricular.
Realizam passantias onde os estudantes podem ter uma relaçao com o movimento campones, estao abertas as passantias para demais estudnates, nao apenas da FEAC.
Realizam jornanda de desenvolvimento rural com cursos e paineis que tem carater nacional.
Os Congressos nacionais de FEAC sao as instancias maximas para deliberar politica para organizaçao.
Realizam tambem oficinas de carater pratico fora da universidade, um espaço alternativo. Nao institucionalizaram oficinas para que o/as estudantes participem por vontade propria.
Em 2007 foram realizadas mobilizaçoes contra politicas que retiram direitos do/as trabalhadore/as.
O/as estudantes que estao proximo a concluir curso formaram um coletivo de agroecologia. Este coletivo mantem relaçao com movimentos camponeses e desenvolve trabalhos dentro da agroecologia com camponese/as.
México
Com a 6º declaraçao da Selva Lacandona deu-se uma orientaçao politica e ocorreu identificaçao dos povos indigenas. Ocorre uma explosao de mobilizaçoes populares em Oaxaca.
Movimento “Sin maíz, no hay país” surge para enfrentar a implementaçao de livre comercio e para proteger as variedades de milho. Movimento “semeia e há colheita” é formado por estudantes, graduados e professores, onde tem se organizado lutas e debates por pautas gerais e populares de enfrentamento ao modelo capitalista e de resgate da cultura Mexicana.
Movimento estudantil – o compromisso com a construçao da Conclaea se da por parte das universidades de agroecologia. Realizam encontros de estudantes com outras universidades. O Claceea tem sido uma complementaçao da formaçao academica e da elementos para seguir trabalhando, conhecer como esta o trabalho em cada pais atraves da troca de experiencias.
Realizaram uma marcha em defesa da soberania alimentar onde estavam presentes estudantes e várias organizaçoes.
Realizam painel de audiovisual e informatica e tambem programa de rádio onde colcoam noticias da América Latina, e tem abertura para debates em mais uma rádio local.
Participaram das mobilizaçoes realizadas no dia 8 de março.
Tem um grupo pequeno, com possibilidade de contato em outras universdades. Realizam encontros de poucos dias, 3 ou 4, onde conhecem a regiao e produçao local. Organizam circulos de estudo com debates diversos, atravé destes circulos manté vículo com outras universidades.
Realizam jornadas culturais com diferentes tematicas dos movimentos sociais.
Mantem relaçao com EZLN. A relaçao com a Assembleia de Oaxaca foi de forma mais conjuntural em resposta à repreçao.
Uruguai
A conjuntura eleitoral se faz semelhante ao que passa no Brasil e na Argentina. Governo supostamente popular, muitas espectativas, porem nao se caracteriza como um governo popular. Teve-se alguns avanços, porem se mantem politica a mesma politica economica. Teve-se a implementaçao de uma lei que protege militares que praticaram torturas na ditadura militar. Alta concentraçao das terras e desnacionalizaçao destas. Há um enfrentamento ao modelo por parte dos movimentos sociais, e uma forte criminalizaçao militar aos movimentos sociais. Há invasao do territorio por produtores de cana de açucar.
Movimento estudantil se articula a nivel nacional atravez da FEU, passam por um periodo com boas espectativas. Movimento secundarista esta surgindo mais forte. Em 2008 AEA completa 100 anos, será um momento de muitas atividades e projetar o futuro da organizaçao.
A AEA tem trabalhado muito sobre os temas de desenvolvimento sustentavel e sustentabilidade. Tem realizado poucos cursos de formaçao politica. Trabalham em uma estaçao experimental unindo variedades de hortaliças. Realizam trabalho com jovens em Associaçoes rurais locais.
Esta ocorrendo uma forte articulaçao com demais estudantes, com sentido mais interdisciplinar em atividades concretas junto a organizaçoes sociais. Realizam atividades massivas culturais, esportivas para aproximar mais companheiro/as e se somar a organizaçao.
13 de janeiro
Manha e tarde
Painel I
Avanços do capital na América Latina
Assessoria:
Roberta Traspadini; Horácio Martins de Carvalho; Luiz Alan
Pontos levantados nos grupos de discussão
As empresas transnacionais vem exercendo um papel de violação nos países latino americanos. Atualmente se coloca o debate do etanol e agrocombustiveis focado no aumento de monocultivos em detrimento da produção de alimentos e com uma estratégia bem clara de dominação através das transnacionais. Os agrocombustiveis vem aliados ao latifúndio, aumento da área de plantio de monocultivos focadas para exportação de produtos. O crescente aumento dos monocultivos está destruindo cada dia mais a cultura dos povos camponêses, expulsando estes do campo e provocando o inchamento da cidades provocando inúmeros problemas sociais. O atual modelo econômico, focado na exploração e concentração de riquezas nas mãos de poucos, contribui para migração dos camponeses para as cidades, excesso de trabalhadores nos monocultivos, salários mal pagos, trabalho escravo e aumento na miserabilidade do povo.
Estados Unidos vê o Brasil como grande produtor de etanol, onde as políticas são negociadas por um bloco e impostas para o povo como uma estratégia de modelo capitalista se manter.
Na Produção de energia dentro do campo agronômico na América Latina vemos a aplicação de políticas do BID, Banco mundial, FMI, políticas de segurança energética.
A privatização da produção cientifica à serviço do grande capital tem se fortalecido nos centros de pesquisa.
A economia domina a política de modo à criar formas de manter o modelo econômico vigente e fortalece-lo a partir do aparato do Estado que esta à serviço das Classes dominantes, assim criam-se formas, estratégias de construção da consciência social para reafirmar o modelo econômico.
Percebe-se uma ausência de ferramentas formais para defesa dos direitos dos camponeses, sendo necessário a criação de mecanismos alternativos de difusão de um outro projeto, protestos massivos e participação popular na definição de projeto político e estratégias de luta.
Alguns pontos muito debatidos:
Devemos buscar caminho de agroecologia como ferramenta para combater capitalismo e de transformação. Onde se conscientize os camponeses de que se pode libertar do modelo capitalista.
Os movimentos populares que tem se organizado para lutar por seus direitos apresentam muitas dificuldades de elevarem consciência das bases após conquistarem seus objetivos mais imediatos.
Necessidade de resgate das lutas históricas dos povos contra sistema opressor para conseguirmos superar erros, e apontar novos rumos para nossa luta.
Educação:
A universidade esta à serviço do Grande capital de forma que sua produção cientifica é voltado para manutenção do sistema capitalista. Há os grandes centros de excelência que se atem a produção de conhecimento cientifico onde estudam os filhos da elite, nas demais, muitas apenas reproduzem e formam para reproduzirem e reafirmarem a ordem.
As políticas educacionais não tem passado de mero assistencialismo, sistema educacional com funcionários públicos descompromissados com a população.
Na Argentina a política de distribuição de recursos para universidades é muito parecida com as do Brasil, onde a verba para educação é direcionada para universidades melhores conceituadas, de acordo com os critérios de avaliação dos organizamos financeiros internacionais. Na Colombia o governo de Uribe tem investido pouquíssimo nas universidades, com o recorte de transferências teve-se ainda menos investimentos na educação e maiores investimentos na guerra. As universidades tem sido um meio muito eficiente de disseminação da ideologia dominante para legitimar modelo neoliberal, isso se faz muito forte nos cursos de agronomia para colocar modelo do agronegócio como único e insuperável.
Desafios colocados pelos grupos de debate:
Pensarmos se realmente é coerente o que falamos com o que pensamos, e se estamos convencendo as pessoas com nossos atos e discursos. Desafio de todos os militantes de superar o vanguardismo sem relação com os militantes. Os militantes mais velhos realizarem o repasse do acumulo adquirido na organização para os novos.
14 de janeiro
Manha e tarde
Painel II
Resistência Popular
Assessoria: Egidio, Jhony (Frente Popular Dario Santillan-Argentina)
Debate nos grupos
A resistência dos povos latino-americanos envolve movimentos sociais populares, resgate cultural e novas formas de produção. O resgate cultural se faz de extrema importância, pois expressa a história de um povo e na luta pela resistência e enfrentamento ao modelo a história é ponto fundamental.
As políticas neoliberais estão deixando fortes impactos em nossos recursos naturais e culturais e encobrindo isso com um discurso de progresso e crescimento nacional. Os recursos mais impactados são á água, minérios, terra e trabalho nacional.
Em Argentina a situação de devastação do campo e empobrecimento da cidade tem impulcionado a formação de vários movimentos populares e frentes de luta. O movimento ambientalista ainda é novo porém, esta se integrando à assembléias de muitas províncias e cobrando alternativas ao modelo devastador. Na Argentina apenas 3% da população esta no campo.
No Brasil a população do campo é um pouco maior, sendo em torno de 17%, mas maior parte da população esta nas cidade, e os moviemntos urbanos ainda são fracos e não possuem uma articulação maior.
Na Colômbia existem poucos movimentos urbanos, existem movimentos indígenas. O pólo democrático articula no meio urbano. O governo difunde campanhas que promovem e difundem um falso desenvolvimento e sentimento de segurança colocando militares nas ruas. Investe-se na exportação de trabalhos artesanais indígenas.
As conjunturas nacionais são semelhantes no que se refere à um modelo de saque aos recursos naturais estratégicos, privatização de empresas, corrupção de grupos de governos.
Esta pressão sobre a soberania nacional tem levado a um crescente surgimento de movimentos sociais no campo para lutar pelo direito a vida e contra toda essa exploração desmedida.
O atual modelo de produção, Agronegócio, que é aliado ao grande capital tem alterado todo modo alimentar da população, impondo alimentos globalizados para todas as partes do mundo. Os alimentos antes consumidos, e que mantinham traços culturais e de soberania, pois os povos desenvolveram, cada qual, uma forma de alimentar-se de acordo com sua localização, com as condições naturais, foram substituídos por um padrão alimentar, alterando totalmente o modo de vida das populações e enfraquecendo cada vez mais sua soberania.
È necessário as organizações construírem formas de fortalecer-se internamente, em seus mecanismos internos de discussão e tomada de decisões, de forma que avancem na construção de resistência ao modelo em ações concretas.
Para os estudantes as passantias tem sido uma ferramenta muito importante para fortalecer a relação com os movimentos camponeses e construir pautas de luta unitárias.
Os movimentos sociais urbanos ainda são recentes e encontram no geral as mesmas dificuldades de organicidade e amadurecimento de uma proposta. A maior parte da população hoje esta no meio urbano, o que nos leva a dedicar esforços para construir uma proposta organizativa.
Desafios:
Unidade entre os movimentos do campo e da cidade. Quebra de fronteiras culturais, e que a cultura venha a promover a unidade entre os povos. Construção da Agroecologia como forma de fortalecimento dos objetivos em comum e de preservação da vida. A agroecologia tem se fortalecido como uma forma de resistência ao modelo capitalista em toda América Latina, pois insere em sua construção o contexto da luta de Classe, desta forma devemos seguir construindo cada vez mais experiências concretas que sirvam de exemplo e acumulo.
Construção de alternativas eficazes aos meios de comunicação das classes dominantes.
Incentivar o consumo de produtos locais e saudáveis.
Clarearmos enquanto estudantes o nosso papel na construção de estratégias de resistência, na construção do poder popular.
Fortalecimento da articulação entre o movimento estudantil com as organizações camponesas e urbanas.
Avanços no centralismo democrático em nossas organizações. Formação teórica d@s militantes, é necessário conhecermos a história, termos capacidade de analise e interpretação da realidade.
Pensar a Conclaea como uma ferramenta que contribui na construção da resistência popular e organização do povo latino-americano e caribenho.
15 de janeiro
Manha
Mesa de debate
Soberania Alimentar e Agroecologia
Zé Maria Tardini (MST-coordenção ELAA); Noeli Taborda (Movimento de mulheres Camponesas – SC)
Debate da mesa e intervenções
O movimento de mulheres camponesas propoem um projeto de agricultura camponesa, onde a base das relações seja a reprodução da vida.O movimento surge devido a opressão que o modo de produção de capitalista impôs para as mulheres, e busca uma participação efetiva destas enquanto sujeitos de transformação da sociedade.
Vivemos hoje um avalanche verde das transnacionais, estas estão encurralando os camponeses para faze-los entrar em um modelão químico, colocando como a única saída para conseguir ficar no campo integrar-se totalmente ao mercado. As grandes empresas e transnacionais dominam a cadeia produtiva desde a produção até a comercialização. Criam leis que prejudicam venda dos produtos dos camponeses/as, impedindo de comercializarem aquilo que produzem fora do modelão. O saber popular acumulado de geração para geração, o modo de vida das comunidades agora é colocado como atrasado.
O patenteamento das ciências tem levado a uma enorme dependência das empresas por parte dos camponeses. Hoje poucos camponeses aind atem a sua semente, poucos produzem de forma a utilizar os recursos próprios, estão grande maioria inseridos em um pacote tecnológico. A diversidade de alimentos em nossa mesa diminui drasticamente.
70% dos alimentos são produzidos em pequenas propriedades, no entanto os maiores investimentos estatais são para as grandes empresas que exportam produtos.
A realização de campanhas de resgate de material crioulo é de fundamnetal importância para construção da soberania alimentar. É necessário termos nossas sementes, nossas formas de produzir desvinculadas da cadeia imposta pelo modelo atual.
Via Campesina vem definindo o tema de Soberania Alimentar como o direito dos povos de definir suas próprias políticas agropecuárias, e tudo referente a alimentação. Realizar o abastecimento geral da nação com alimentos saudáveis.
É necessário fortalecer a Via campesina e as famílias camponesas em seu território, estabelecerem relação com outras comunidades, criar rede de trocas.
Nos primeiros 16 anos do MST tinha-se estratégia de alcançar tecnologia do agronegócio e ter competitividade. Percebe-se que o Agronegócio é um modelo que não condiz com a vida e que os territórios não resistiriam entrando no agronegócio, então coloca Agroecologia como prioridade em suas lutas. No interior da organização existiam famílias resistindo e apontando para a resistência camponesa, também a articulação com a Via campesina fortaleceu essa mudança nos rumos da visão de produção.
Com o atual modelo muitas das línguas faladas se perderam, algumas são faladas apenas por pequenas comunidades, houve uma erosão cultural, perca de identidade dos povos, de seus conhecimentos historicamente construídos.
Não há políticas de incentivo a agroecologia, apenas em Cuba. Não é pela esfera governamental que iremos avançar na construção e sim nas lutas concretas.
Existe um grande movimento agroecológico, porém com o controle de ONG´s. A Via campesina inclui agroecologia em seu programa estratégico de transformação, deu passos importantes na construção das escolas de agroecologia, preparando a juventude para construir um novo projeto.
Intervenções:
É difícil debater cultura e demais coisas se temos que comprar os alimentos, então temos que ter acesso livre aos alimentos. O papel da agronomia foi fundamental para implementação da Revolução verde. Precisamos voltar nossos olhos para a construção da agricultura urbana, onde se possa produzir alimentos nas cidades também.
Esses espaços de debate se fazem muito importante para firmarmos uma concepção de agroecologia. O/as estudantes tem um papel muito importante nesta construção, devendo se somar aos povos camponeses para construir atividades conjuntas acerca da agroecologia. Agora acompanhamos o debate dos agrocombustiveis onde se deixa de produzir alimentos para plantar cana e favorecer novamente as grandes empresas. Para o próximo período é fundamental que estreitamos nossos laços com as escolas de agroecologia dos moviemntos sociais apoiando, contribuindo com esses espaços. A realização de cursos de agroecologia que traga o debate técnico e político deve ser mais trabalhado pelas federações, e principalmente, sair só do debate e construir atividades práticas que sirvam de exemplo.
Pergunta:
Como o Movimento de mulheres camponesas faz o debate de gênero e como se deu a parceria do Movimento dos trabalhadores rurais sem terra com as universidades.
Respostas da mesa:
O Movimento de mulheres se organiza há 25 anos em Santa Catrina. Vem agora construindo uma parceria com as mulheres urbanas, fazendo o debate de alimentos saudáveis, pois não adianta produzir se não há a consciência de consumir esses produtos ou se não entende-se o porque consumi-los. Então, faz-se o debate do acesso aos produtos agroecológicos.
No debate de gênero entende-se que para que a opressão da mulher seja combatida é necessário combater todas as formas de opressão, pois só não havendo mais opressão nenhuma as mulheres serão livres. Para as mulheres se libertarem é processo bastante lento, os companheiros muitas vezes oprimem, questionando a participação no movimento, não permitindo a participação. Para as mulheres começarem a participar, a sair de casa se encontrou muitas dificuldades. Então ao longo dos anos foi se realizando encontros nas comunidades, motivando as mulheres, resgatando o protagonismos destas nas lutas, trabalhando com a questão das sementes, da aposentadoria da dona de casa, dos direitos da mulher e principalmente destas se reconhecerem como sujeito transformador.
Tem-se muitas dificuldades em atrair as mulheres para o movimento, vai-se nas comunidades, reúne, debate sobre maiores problemas que elas encontram. Muitas vezes elas demonstram vontade em participar, mas quando vai sair de casa para um curso já esbarram em um monte de dificuldades. Há muito pouco tempo que as mulheres começaram a estudar, pela questão do estudo também se aproximam do movimento. As soluções muitas vezes se dão lá na comunidade em uma luta pela melhoria da estrada, posto de saúde entre outras coisas.
O MST tem construído muitas escolas pela crítica que faz às academias. As crianças são tiradas do campo para estudar na cidade, perdendo assim suas raízes. As pessoas quando saem da academia levam muito tempo para reeducarem-se, para trabalharem em outra lógica do que a posta pela universidade. Encontra-se muitas dificuldades em incluir cursos de agroecologia nas universidades convencionais, a relação com as universidade que o movimento estabelece para realização de cursos de várias áreas prima que sempre se mantenha autonomia dos mesmos por parte do movimento.
17 de janeiro
Manha e tarde
CONCLAEA – histórico e perspectivas
Assessoria: Gentil (formado de FEAB), Corisco (formado de FEAB), Carlitos (FAEA, Matias (FAEA), Jose (FEAC).
Pontos levantados no debate, desafios, reflexoes:
Realizaçao de passantias internacional, conhecer a experiencia de Cuba e do/as Zapatistas.
Realizaçao de espaço de formaçao, um curso de formaçao para militantes de Conclaea, refletir como articular este espaço. Para que se de um salto qualitativo a formaçao politica do/as militantes de uma organizaçao é ponto fundamental.
Fortalecermos a organicidade da Conclaea de forma que se torne mais permanente a articulaçao, os debates, o pensar de um projeto politico de atuaçao dos estudantes, e nao se limite apenas aos Claceeas e pre-claceeas essas discussoes.
Amadurecer a concepçao de direçao politica, unidade politica, pedagogia popular.
Fazer a disputa da ciencia construindo essa luta junto aos povos.
Conclaea deve contribuir para construçao da patria latino americana e de um projeto socialista.
Momento importante que estamos vivendo no Movimento estudantil de reconstruçao, redefiniçoes politicas e a aproximaçao dos movimentos sociais populares é muito importante e necessaria para os avanços na luta.
Grandes desafios de fortalecermos as federaçoes que paticipam da Conclaea e aproximar os paisesque estao afastados. O fortalecimento da Conclaea se dará com o fortalecimento das federaçoes e associaçoes que fazem parte dela.
Nao perder de vista o trabalho de base, é ponto fundamental para que a organizaçao se fortaleça.
Sair do Claceea com o compromisso de construirmos luta anti-imperialista e socialista.
Ter a pratica como fundamental no processo de formaçao, realizaçao de intercambios.
Propostas levantadas:
- Construçao de uma agenda comum de lutas;
- Fortalecer a organizaçao da Concalea atraves das passadas nos paises;
- As Federaçoes e associaçoes devem trabalhar em seus congressos e encontros o tema da Conclaea;
- Construçao d eum material para rabalho de base;
- Construçao de um espaço de debate na Conclaea sobre a opressao das mulheres;
Cordinacion General: FEAB - Brasil
Cordinacion Norte: México
Cordinacion Sur: AEA - Uruguay
Pre-CLACEEA: FAEA - Argentina
XIX CLACEEA 2009 - FEAC - Colombia
“El camino es sólo una de las cosas
semillas sin tierra no te darán rosas
Faltan los amigos que marcharon lejos
dentro de la tierra, sentimiento adentro
Los dedos crispados sobre un vientre fuerte
buscando la vida en la guitarra madre”
(Ali Primera)
Sua elaboração foi baseada nos relatos dos painéis, mesas de debate e grupos de discussão.
Não trará em seu conteúdo textos completos das discussões, mas alguns pontos importantes que foram anotados pelo conjunto da relatoria e coordenação dos grupos de discussão, portanto, construído coletivamente por todo/as o/as militantes que participaram deste Congresso e contribuíram para a história da CONCLAEA.
Temos, enquanto CONCLEA, o desafio de a partir desta sistematização do nosso Congresso, dar continuidade no debate nas escolas, nos coletivos organizados e superar os desafios para nós colocados neste momento.
Seguimos na luta por um mundo igualitário, sem fronteiras que dividam o/as trabalhadore/as e pela liberdade plena.
GLOBALIZEMOS A LUTA!!!
GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA!!!!!
Confederação Caribenha e Latino Americana de Estudantes de Agronomia - CONCLAEA
XVIII Congresso Latino Americano e Caribenho de Entidades Estudantis de Agronomia - ClACEEA
Curitiba, 13 a 26 de janeiro de 2007
O Clacea Ocorreu na Escola Latino Americana de Agroecologia, localizada na cidade da Lapa no estado do Paraná-Brasil. Contou com a participação de companheiros e companheiras da Argetina, Uruguai, Brasil, Colômbia e México. Ao todo foram mais de sem participantes.
Escola Latino Americana de Agroecologia - ELAAA ELAA tem sua sede no Assentamento Contestado, Lapa, Paraná, Brasil.
Um pouco de história:
Em 27 de agosto de 2005, os campesinos e campesinas da América Latina conquistavam mais um instrumento na luta pela construção de uma nova matriz de produção, baseada na agroecologia e na preservação da biodiversidade. Era inaugurada a Iª Escola Latino-Americana de Agroecologia (ELAA) do continente, localizada no assentamento Contestado, município da Lapa, no Paraná
A ELAA foi criada em parceria entre a Via Campesina, governo da Venezuela, governo do Paraná, Universidade Federal do Paraná - UFPR e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O objetivo é formar pedagogos e pedagogas em agroecologia que, juntamente com os camponeses irão contribuir para o avanço da agroecologia no campo. Os estudantes são filhos de camponeses e assentados, ligados aos movimentos que integram a Via Campesina, na América Latina.
A construção da Escola tem sido fundamental para fortalecer a articulação da Via Campesina Latino Americana, na preparaçao de jovens de vários movimentos socais para atuar nas comunidades onde vivem.
Programação do XVIII Claceea:
12/01
MANHA: Recebimento das delegações
TARDE: Recebimento das delegações
NOITE: Abertura do Congresso
13/01
MANHA: Painel I - Estratégias do Capital para A.L
TARDE: Grupos de discussão
NOITE: Comitê CONCLAEA
14/01
MANHA: Painel II - Resistência Popular
TARDE: Grupos de discussão
NOITE: Comitê CONCLAEA
15/01
MANHA: Mesa de debate Soberania Alimentar e Agroecologia
TARDE: Apresentação da ELAA - Oficinas
NOITE: Comitê CONCLAEA
16/01
MANHA: Intercambio de experiências
TARDE: Intercambio de experiências
NOITE: Comitê CONCLAEA
17/01
MANHA: Painel III - CONCLAEA – Histórico e perspectivas
TARDE: Grupos de discussão
NOITE: Comitê CONCLAEA
18/01
MANHA: Plenária Final
TARDE: Plenária Final
NOITE: Comitê CONCLAEA
12 de janeiro
Durante o dia 12 as delegações chegaram ao Brasil, algumas anteciparam-se chegando antes, e a delegação do Brasil já estava no local do congresso. Este dia foi destinado para acomodação das delegações, inscrições, conversas entre as pessoas que chegavam e integração.
Durante a noite realizou-se abertura do XVIII CLACEEA com muita animação, onde após a abertura, dançamos e confraternizamos em uma cultural.
Conjuntura dos países:
Argentina
Federaçao de Estudantes de Aglonomia de Argentina - FAEA
Com quem se articula¿ Movimiento Nacional Campesino Indígena (MNCI) e Frente Popular Dario Santillan (FPDS).
MNCI – composto por organizações campesinas MOCASE, MCC, União trabajadores sem tierra-Mendonza, MOCAMI, RED-PUNA-Rede de organizções indígenas, cooperativos, ONG´s, igrejas, é de JuJuy, Encontro Calchaqui - Salta, CERCUPO- Buenos Aires, mas trabalham em norte argentino. Estas organizações são as mais fortalecidas que compõem MNCI, pero tienen demás organizaciones.
Movimentos camponeses sao composto por campesinos em territórios de avanço de fronteira agrícola, frutas, pecuária, passando terra a ter maior interesse econômico. Composto por posseiros que chegaram se estabeleceram ha muito tempo. Em momento de divisão de terras em Argentina aparecem donos para estas propriedades, e então passam a usar estratégias para expulsar campesino/as, desde enganos até aparato policial de Estado.
Movimento camponês bastante dinâmico e processo de organizações ainda bastante inicial.
Em processo de formação de MNCI ocorreram diversas mudanças, antes tinha outro nome e também em seu processo de construção relação próxima com urbanos, houve pequena separação por um tempo e hoje estão construindo lutas unitárias com urbanos e compreendendo processo de luta em conjunto. MNCI tem este nome a um ano e não apenas mudou o nome como forma passou a ser mais multi setores e não por agremiações. Inicio de construção de um projeto político por diversos setores.
Movimento Campones de Cordoba (MCC) se organiza por 5 regiões, que estão em diferentes processos organizativos.
MOCASE é mais antigo com mais de 20 anos. UST tienen em torno de 5 anos de organização.
Frente Popular Dario Santillán
Anteriormente Movimento de Trabalhadores Desocupados (MTD), se constitui em 2001, a partir de 2003 depois de Morte de companheiro Dario em uma manifestação, começa a mudar sua forma e passa a ser Frente Popular com estratégia de alcançar diversos setores (campesinos, trabalhadores desempregados, trabalhadores de fabricas ocupadas, estudantes). Trabalha com assembléias populares em Comunidades, provicias e a nível nacional. Não participam partidos políticos na Frente. É uma frente ampliada por todo pais. Pratica real de contradição com capital se dá de forma mais rápida em meio urbano que no campo, o que leva a uma dinâmica mais rápida na Frente do que em MNCI.
Avanço de Agronegócio:
Missiones e Corrientes – Pinus. Empresas Perez Companc, e outras transnacionais estrangeiras.
Santiago Del Estero – Avanço da soja. Província onde mais se concentra campesino/as.
Córdoba – Avanço de gado e soja. Antes comunidades de campesino/as que trabalhavam para subsistência com carvão, cabritos, gado, mel, etc.
Mendonza – Avanço de frutas, grandes empresas Européias, produção de vinho. Havia problema com falta de água anteriormente, empresas roubam água de campesino/as apropriando-se de sistema de distribuição, como forma de desvalorizar suas terras e saquea-las.
Jujuy – Devastação de selva para plantação de soja.
Presença de Indígenas – Norte, Missiones, Formosa, Chaco, Jujuy, Salta. Sul-organizaciones Mapuches.
Actualmente: o discurso de gobernó Kirshner se mostrou mais progressista que habia sido da esquierda historicamente. Ao mesmo tempo, a direita fascista segue existindo, contra o governo. Hà setores da direita dentro do governo. A nivel de America Latina tem uma identificaçao com o governo de Chaves na Venezuela.
Frente Popular Dario Santillan e MNCI sao os movimentos mais consolidados que traçam uma analises critica frente ao governo. Existe uma identificaçao por partre de FAEA com estas organizaçoes.
No Movimento Estudantil nao hà uma unificaçao a nivel nacional. Ha processos diferentes pelos quais passam cada universidade. Existem articulaçoes a nivel regional para construir o movimento estudantil.
Brasil
Regiao Sul – Forte presença de agroindustrias de aves e suinos, plantaçoes de soja e monocultivos de arboreas.
Sudeste – grandes plantaçoes de cana de açucar e de frutas. Grandes projetos de irrigaçao atraves de barragens para areas do agronegocio.
Nordeste – Plantaçoes de cana de açucar, frutiferas irrigadas para exportaçao, transposiçao do Rio Sao Francisco para produçao de camarrao e irrigaçao de frutiferas (de grandes empresas).
Norte – Grande exploraçao da floresta amazonica por extrangeiros, derrubada da floresta para implantaçao de monocultivos e criaçao de gado.
Movimentos sociais: os movimentos urbanos se encontram bastante fragilizados, com uma grande fragmentaçao da esquerda, os sindicatos se encontram atuando de forma fragmentada e sem uma central que de conta de tocar lutas que aglutinem. Nao existe uma frente que aglutine, faça trabalho de base, nao hà movimento de bairros de forma expressiva.
Os movimentos camponeses que tem dado o tom nas lutas nacional atraves da articulaçao da Via Campesina, onde estao articulados o Movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST), Movimento de atingidos por barragens (MAB), Movimento de pequenos agricultores (MPA), Movimento de mulheres camponesas(MMC), Pastoral da juventude rural (PJR), Comissao pastoral da terra (CPT) e Federaçao de estudantes de agronomia (FEAB).
Na educaçao teve-se um forte avanço na mercantilizaçao com projeto do REUNI-2007 implementado pelo Governo Lula. Ocorreu um movimento de ocupaçao de reitorias. Tambem no ano de 2007 teve uma jornada de lutas unificada do campo e da cidade com o tema da educaçao, e ocupou-se as universidades em muitas provincias. As universidades de Agrarias estao totalmente atreladas ao Agronegocio, e suas pesquisas sao direcionadas para aumentar lucros de grandes empresas.
Com governo de Fernando Henrique Cardoso as privatizaçoes de bens publicos aumentam e governo Lula dá sequencia a essa politica. Com Plano de Aceleraçao do Crescimento (PAC) de governo Lula o agronegocio teve força para avançar ainda mais, projetos sociais sao de ordem assistencialista e de contensao das mobilizaçoes sociais, nao tem como proposta a organizaçao popular.
Em ultimo periodo no Brasil se realizaram grandes mobilizaçoes contra a Transposiçao do Rios Sao Francisco e pela reestatizaçao da Companhia Vale do Rio Doce, empresa vendida por Fernando Henrique Cardoso.
Colombia
O movimento estudantil secundarista esta se rearticulando e construindo lutas conjunta com universitários. Em 2007 foram realizadas marchas de mobilizaçao em várias cidades para colocar enfrentamento ao modelo neoliberal de educaçao. Movimento estudantil sofre criminalizaçao e acusaçoes de ter relaçao com as FARC, ELN, etc.
As FARC e ELN surgem ha mais ou menos 40 anos, primeiro tinha carater campones e depois passou a agregar intelectuais e estudantes. Governo nao adimite guerra civil e faz acusaçoes de terrorismo. Existem iniciativas de acordo humanitário, porem que respeitam o processo eleitoral.
Governo Uribe e meios de comunicaçao colocam discurso de “segurança nacional” para reprimir organizaçao popular. Popularidade de Uribe aumenta por usar de taticas como demonstrar interesse pela libertaçao de seuqestrados pela guerrilha.
A interferencia de governo Chaves foi boicotada por Uribes, pois isso permitiria o avanço de consciencia de uma esquerda mais progressista no país.
FEAC tem trabalhado com estudantes em cima do debate do curriculo academico que nao esta relacionado com o que sao as necessidades do povo Colombiano. Realizaram encontro nacional curricular.
Realizam passantias onde os estudantes podem ter uma relaçao com o movimento campones, estao abertas as passantias para demais estudnates, nao apenas da FEAC.
Realizam jornanda de desenvolvimento rural com cursos e paineis que tem carater nacional.
Os Congressos nacionais de FEAC sao as instancias maximas para deliberar politica para organizaçao.
Realizam tambem oficinas de carater pratico fora da universidade, um espaço alternativo. Nao institucionalizaram oficinas para que o/as estudantes participem por vontade propria.
Em 2007 foram realizadas mobilizaçoes contra politicas que retiram direitos do/as trabalhadore/as.
O/as estudantes que estao proximo a concluir curso formaram um coletivo de agroecologia. Este coletivo mantem relaçao com movimentos camponeses e desenvolve trabalhos dentro da agroecologia com camponese/as.
México
Com a 6º declaraçao da Selva Lacandona deu-se uma orientaçao politica e ocorreu identificaçao dos povos indigenas. Ocorre uma explosao de mobilizaçoes populares em Oaxaca.
Movimento “Sin maíz, no hay país” surge para enfrentar a implementaçao de livre comercio e para proteger as variedades de milho. Movimento “semeia e há colheita” é formado por estudantes, graduados e professores, onde tem se organizado lutas e debates por pautas gerais e populares de enfrentamento ao modelo capitalista e de resgate da cultura Mexicana.
Movimento estudantil – o compromisso com a construçao da Conclaea se da por parte das universidades de agroecologia. Realizam encontros de estudantes com outras universidades. O Claceea tem sido uma complementaçao da formaçao academica e da elementos para seguir trabalhando, conhecer como esta o trabalho em cada pais atraves da troca de experiencias.
Realizaram uma marcha em defesa da soberania alimentar onde estavam presentes estudantes e várias organizaçoes.
Realizam painel de audiovisual e informatica e tambem programa de rádio onde colcoam noticias da América Latina, e tem abertura para debates em mais uma rádio local.
Participaram das mobilizaçoes realizadas no dia 8 de março.
Tem um grupo pequeno, com possibilidade de contato em outras universdades. Realizam encontros de poucos dias, 3 ou 4, onde conhecem a regiao e produçao local. Organizam circulos de estudo com debates diversos, atravé destes circulos manté vículo com outras universidades.
Realizam jornadas culturais com diferentes tematicas dos movimentos sociais.
Mantem relaçao com EZLN. A relaçao com a Assembleia de Oaxaca foi de forma mais conjuntural em resposta à repreçao.
Uruguai
A conjuntura eleitoral se faz semelhante ao que passa no Brasil e na Argentina. Governo supostamente popular, muitas espectativas, porem nao se caracteriza como um governo popular. Teve-se alguns avanços, porem se mantem politica a mesma politica economica. Teve-se a implementaçao de uma lei que protege militares que praticaram torturas na ditadura militar. Alta concentraçao das terras e desnacionalizaçao destas. Há um enfrentamento ao modelo por parte dos movimentos sociais, e uma forte criminalizaçao militar aos movimentos sociais. Há invasao do territorio por produtores de cana de açucar.
Movimento estudantil se articula a nivel nacional atravez da FEU, passam por um periodo com boas espectativas. Movimento secundarista esta surgindo mais forte. Em 2008 AEA completa 100 anos, será um momento de muitas atividades e projetar o futuro da organizaçao.
A AEA tem trabalhado muito sobre os temas de desenvolvimento sustentavel e sustentabilidade. Tem realizado poucos cursos de formaçao politica. Trabalham em uma estaçao experimental unindo variedades de hortaliças. Realizam trabalho com jovens em Associaçoes rurais locais.
Esta ocorrendo uma forte articulaçao com demais estudantes, com sentido mais interdisciplinar em atividades concretas junto a organizaçoes sociais. Realizam atividades massivas culturais, esportivas para aproximar mais companheiro/as e se somar a organizaçao.
13 de janeiro
Manha e tarde
Painel I
Avanços do capital na América Latina
Assessoria:
Roberta Traspadini; Horácio Martins de Carvalho; Luiz Alan
Pontos levantados nos grupos de discussão
As empresas transnacionais vem exercendo um papel de violação nos países latino americanos. Atualmente se coloca o debate do etanol e agrocombustiveis focado no aumento de monocultivos em detrimento da produção de alimentos e com uma estratégia bem clara de dominação através das transnacionais. Os agrocombustiveis vem aliados ao latifúndio, aumento da área de plantio de monocultivos focadas para exportação de produtos. O crescente aumento dos monocultivos está destruindo cada dia mais a cultura dos povos camponêses, expulsando estes do campo e provocando o inchamento da cidades provocando inúmeros problemas sociais. O atual modelo econômico, focado na exploração e concentração de riquezas nas mãos de poucos, contribui para migração dos camponeses para as cidades, excesso de trabalhadores nos monocultivos, salários mal pagos, trabalho escravo e aumento na miserabilidade do povo.
Estados Unidos vê o Brasil como grande produtor de etanol, onde as políticas são negociadas por um bloco e impostas para o povo como uma estratégia de modelo capitalista se manter.
Na Produção de energia dentro do campo agronômico na América Latina vemos a aplicação de políticas do BID, Banco mundial, FMI, políticas de segurança energética.
A privatização da produção cientifica à serviço do grande capital tem se fortalecido nos centros de pesquisa.
A economia domina a política de modo à criar formas de manter o modelo econômico vigente e fortalece-lo a partir do aparato do Estado que esta à serviço das Classes dominantes, assim criam-se formas, estratégias de construção da consciência social para reafirmar o modelo econômico.
Percebe-se uma ausência de ferramentas formais para defesa dos direitos dos camponeses, sendo necessário a criação de mecanismos alternativos de difusão de um outro projeto, protestos massivos e participação popular na definição de projeto político e estratégias de luta.
Alguns pontos muito debatidos:
Devemos buscar caminho de agroecologia como ferramenta para combater capitalismo e de transformação. Onde se conscientize os camponeses de que se pode libertar do modelo capitalista.
Os movimentos populares que tem se organizado para lutar por seus direitos apresentam muitas dificuldades de elevarem consciência das bases após conquistarem seus objetivos mais imediatos.
Necessidade de resgate das lutas históricas dos povos contra sistema opressor para conseguirmos superar erros, e apontar novos rumos para nossa luta.
Educação:
A universidade esta à serviço do Grande capital de forma que sua produção cientifica é voltado para manutenção do sistema capitalista. Há os grandes centros de excelência que se atem a produção de conhecimento cientifico onde estudam os filhos da elite, nas demais, muitas apenas reproduzem e formam para reproduzirem e reafirmarem a ordem.
As políticas educacionais não tem passado de mero assistencialismo, sistema educacional com funcionários públicos descompromissados com a população.
Na Argentina a política de distribuição de recursos para universidades é muito parecida com as do Brasil, onde a verba para educação é direcionada para universidades melhores conceituadas, de acordo com os critérios de avaliação dos organizamos financeiros internacionais. Na Colombia o governo de Uribe tem investido pouquíssimo nas universidades, com o recorte de transferências teve-se ainda menos investimentos na educação e maiores investimentos na guerra. As universidades tem sido um meio muito eficiente de disseminação da ideologia dominante para legitimar modelo neoliberal, isso se faz muito forte nos cursos de agronomia para colocar modelo do agronegócio como único e insuperável.
Desafios colocados pelos grupos de debate:
Pensarmos se realmente é coerente o que falamos com o que pensamos, e se estamos convencendo as pessoas com nossos atos e discursos. Desafio de todos os militantes de superar o vanguardismo sem relação com os militantes. Os militantes mais velhos realizarem o repasse do acumulo adquirido na organização para os novos.
14 de janeiro
Manha e tarde
Painel II
Resistência Popular
Assessoria: Egidio, Jhony (Frente Popular Dario Santillan-Argentina)
Debate nos grupos
A resistência dos povos latino-americanos envolve movimentos sociais populares, resgate cultural e novas formas de produção. O resgate cultural se faz de extrema importância, pois expressa a história de um povo e na luta pela resistência e enfrentamento ao modelo a história é ponto fundamental.
As políticas neoliberais estão deixando fortes impactos em nossos recursos naturais e culturais e encobrindo isso com um discurso de progresso e crescimento nacional. Os recursos mais impactados são á água, minérios, terra e trabalho nacional.
Em Argentina a situação de devastação do campo e empobrecimento da cidade tem impulcionado a formação de vários movimentos populares e frentes de luta. O movimento ambientalista ainda é novo porém, esta se integrando à assembléias de muitas províncias e cobrando alternativas ao modelo devastador. Na Argentina apenas 3% da população esta no campo.
No Brasil a população do campo é um pouco maior, sendo em torno de 17%, mas maior parte da população esta nas cidade, e os moviemntos urbanos ainda são fracos e não possuem uma articulação maior.
Na Colômbia existem poucos movimentos urbanos, existem movimentos indígenas. O pólo democrático articula no meio urbano. O governo difunde campanhas que promovem e difundem um falso desenvolvimento e sentimento de segurança colocando militares nas ruas. Investe-se na exportação de trabalhos artesanais indígenas.
As conjunturas nacionais são semelhantes no que se refere à um modelo de saque aos recursos naturais estratégicos, privatização de empresas, corrupção de grupos de governos.
Esta pressão sobre a soberania nacional tem levado a um crescente surgimento de movimentos sociais no campo para lutar pelo direito a vida e contra toda essa exploração desmedida.
O atual modelo de produção, Agronegócio, que é aliado ao grande capital tem alterado todo modo alimentar da população, impondo alimentos globalizados para todas as partes do mundo. Os alimentos antes consumidos, e que mantinham traços culturais e de soberania, pois os povos desenvolveram, cada qual, uma forma de alimentar-se de acordo com sua localização, com as condições naturais, foram substituídos por um padrão alimentar, alterando totalmente o modo de vida das populações e enfraquecendo cada vez mais sua soberania.
È necessário as organizações construírem formas de fortalecer-se internamente, em seus mecanismos internos de discussão e tomada de decisões, de forma que avancem na construção de resistência ao modelo em ações concretas.
Para os estudantes as passantias tem sido uma ferramenta muito importante para fortalecer a relação com os movimentos camponeses e construir pautas de luta unitárias.
Os movimentos sociais urbanos ainda são recentes e encontram no geral as mesmas dificuldades de organicidade e amadurecimento de uma proposta. A maior parte da população hoje esta no meio urbano, o que nos leva a dedicar esforços para construir uma proposta organizativa.
Desafios:
Unidade entre os movimentos do campo e da cidade. Quebra de fronteiras culturais, e que a cultura venha a promover a unidade entre os povos. Construção da Agroecologia como forma de fortalecimento dos objetivos em comum e de preservação da vida. A agroecologia tem se fortalecido como uma forma de resistência ao modelo capitalista em toda América Latina, pois insere em sua construção o contexto da luta de Classe, desta forma devemos seguir construindo cada vez mais experiências concretas que sirvam de exemplo e acumulo.
Construção de alternativas eficazes aos meios de comunicação das classes dominantes.
Incentivar o consumo de produtos locais e saudáveis.
Clarearmos enquanto estudantes o nosso papel na construção de estratégias de resistência, na construção do poder popular.
Fortalecimento da articulação entre o movimento estudantil com as organizações camponesas e urbanas.
Avanços no centralismo democrático em nossas organizações. Formação teórica d@s militantes, é necessário conhecermos a história, termos capacidade de analise e interpretação da realidade.
Pensar a Conclaea como uma ferramenta que contribui na construção da resistência popular e organização do povo latino-americano e caribenho.
15 de janeiro
Manha
Mesa de debate
Soberania Alimentar e Agroecologia
Zé Maria Tardini (MST-coordenção ELAA); Noeli Taborda (Movimento de mulheres Camponesas – SC)
Debate da mesa e intervenções
O movimento de mulheres camponesas propoem um projeto de agricultura camponesa, onde a base das relações seja a reprodução da vida.O movimento surge devido a opressão que o modo de produção de capitalista impôs para as mulheres, e busca uma participação efetiva destas enquanto sujeitos de transformação da sociedade.
Vivemos hoje um avalanche verde das transnacionais, estas estão encurralando os camponeses para faze-los entrar em um modelão químico, colocando como a única saída para conseguir ficar no campo integrar-se totalmente ao mercado. As grandes empresas e transnacionais dominam a cadeia produtiva desde a produção até a comercialização. Criam leis que prejudicam venda dos produtos dos camponeses/as, impedindo de comercializarem aquilo que produzem fora do modelão. O saber popular acumulado de geração para geração, o modo de vida das comunidades agora é colocado como atrasado.
O patenteamento das ciências tem levado a uma enorme dependência das empresas por parte dos camponeses. Hoje poucos camponeses aind atem a sua semente, poucos produzem de forma a utilizar os recursos próprios, estão grande maioria inseridos em um pacote tecnológico. A diversidade de alimentos em nossa mesa diminui drasticamente.
70% dos alimentos são produzidos em pequenas propriedades, no entanto os maiores investimentos estatais são para as grandes empresas que exportam produtos.
A realização de campanhas de resgate de material crioulo é de fundamnetal importância para construção da soberania alimentar. É necessário termos nossas sementes, nossas formas de produzir desvinculadas da cadeia imposta pelo modelo atual.
Via Campesina vem definindo o tema de Soberania Alimentar como o direito dos povos de definir suas próprias políticas agropecuárias, e tudo referente a alimentação. Realizar o abastecimento geral da nação com alimentos saudáveis.
É necessário fortalecer a Via campesina e as famílias camponesas em seu território, estabelecerem relação com outras comunidades, criar rede de trocas.
Nos primeiros 16 anos do MST tinha-se estratégia de alcançar tecnologia do agronegócio e ter competitividade. Percebe-se que o Agronegócio é um modelo que não condiz com a vida e que os territórios não resistiriam entrando no agronegócio, então coloca Agroecologia como prioridade em suas lutas. No interior da organização existiam famílias resistindo e apontando para a resistência camponesa, também a articulação com a Via campesina fortaleceu essa mudança nos rumos da visão de produção.
Com o atual modelo muitas das línguas faladas se perderam, algumas são faladas apenas por pequenas comunidades, houve uma erosão cultural, perca de identidade dos povos, de seus conhecimentos historicamente construídos.
Não há políticas de incentivo a agroecologia, apenas em Cuba. Não é pela esfera governamental que iremos avançar na construção e sim nas lutas concretas.
Existe um grande movimento agroecológico, porém com o controle de ONG´s. A Via campesina inclui agroecologia em seu programa estratégico de transformação, deu passos importantes na construção das escolas de agroecologia, preparando a juventude para construir um novo projeto.
Intervenções:
É difícil debater cultura e demais coisas se temos que comprar os alimentos, então temos que ter acesso livre aos alimentos. O papel da agronomia foi fundamental para implementação da Revolução verde. Precisamos voltar nossos olhos para a construção da agricultura urbana, onde se possa produzir alimentos nas cidades também.
Esses espaços de debate se fazem muito importante para firmarmos uma concepção de agroecologia. O/as estudantes tem um papel muito importante nesta construção, devendo se somar aos povos camponeses para construir atividades conjuntas acerca da agroecologia. Agora acompanhamos o debate dos agrocombustiveis onde se deixa de produzir alimentos para plantar cana e favorecer novamente as grandes empresas. Para o próximo período é fundamental que estreitamos nossos laços com as escolas de agroecologia dos moviemntos sociais apoiando, contribuindo com esses espaços. A realização de cursos de agroecologia que traga o debate técnico e político deve ser mais trabalhado pelas federações, e principalmente, sair só do debate e construir atividades práticas que sirvam de exemplo.
Pergunta:
Como o Movimento de mulheres camponesas faz o debate de gênero e como se deu a parceria do Movimento dos trabalhadores rurais sem terra com as universidades.
Respostas da mesa:
O Movimento de mulheres se organiza há 25 anos em Santa Catrina. Vem agora construindo uma parceria com as mulheres urbanas, fazendo o debate de alimentos saudáveis, pois não adianta produzir se não há a consciência de consumir esses produtos ou se não entende-se o porque consumi-los. Então, faz-se o debate do acesso aos produtos agroecológicos.
No debate de gênero entende-se que para que a opressão da mulher seja combatida é necessário combater todas as formas de opressão, pois só não havendo mais opressão nenhuma as mulheres serão livres. Para as mulheres se libertarem é processo bastante lento, os companheiros muitas vezes oprimem, questionando a participação no movimento, não permitindo a participação. Para as mulheres começarem a participar, a sair de casa se encontrou muitas dificuldades. Então ao longo dos anos foi se realizando encontros nas comunidades, motivando as mulheres, resgatando o protagonismos destas nas lutas, trabalhando com a questão das sementes, da aposentadoria da dona de casa, dos direitos da mulher e principalmente destas se reconhecerem como sujeito transformador.
Tem-se muitas dificuldades em atrair as mulheres para o movimento, vai-se nas comunidades, reúne, debate sobre maiores problemas que elas encontram. Muitas vezes elas demonstram vontade em participar, mas quando vai sair de casa para um curso já esbarram em um monte de dificuldades. Há muito pouco tempo que as mulheres começaram a estudar, pela questão do estudo também se aproximam do movimento. As soluções muitas vezes se dão lá na comunidade em uma luta pela melhoria da estrada, posto de saúde entre outras coisas.
O MST tem construído muitas escolas pela crítica que faz às academias. As crianças são tiradas do campo para estudar na cidade, perdendo assim suas raízes. As pessoas quando saem da academia levam muito tempo para reeducarem-se, para trabalharem em outra lógica do que a posta pela universidade. Encontra-se muitas dificuldades em incluir cursos de agroecologia nas universidades convencionais, a relação com as universidade que o movimento estabelece para realização de cursos de várias áreas prima que sempre se mantenha autonomia dos mesmos por parte do movimento.
17 de janeiro
Manha e tarde
CONCLAEA – histórico e perspectivas
Assessoria: Gentil (formado de FEAB), Corisco (formado de FEAB), Carlitos (FAEA, Matias (FAEA), Jose (FEAC).
Pontos levantados no debate, desafios, reflexoes:
Realizaçao de passantias internacional, conhecer a experiencia de Cuba e do/as Zapatistas.
Realizaçao de espaço de formaçao, um curso de formaçao para militantes de Conclaea, refletir como articular este espaço. Para que se de um salto qualitativo a formaçao politica do/as militantes de uma organizaçao é ponto fundamental.
Fortalecermos a organicidade da Conclaea de forma que se torne mais permanente a articulaçao, os debates, o pensar de um projeto politico de atuaçao dos estudantes, e nao se limite apenas aos Claceeas e pre-claceeas essas discussoes.
Amadurecer a concepçao de direçao politica, unidade politica, pedagogia popular.
Fazer a disputa da ciencia construindo essa luta junto aos povos.
Conclaea deve contribuir para construçao da patria latino americana e de um projeto socialista.
Momento importante que estamos vivendo no Movimento estudantil de reconstruçao, redefiniçoes politicas e a aproximaçao dos movimentos sociais populares é muito importante e necessaria para os avanços na luta.
Grandes desafios de fortalecermos as federaçoes que paticipam da Conclaea e aproximar os paisesque estao afastados. O fortalecimento da Conclaea se dará com o fortalecimento das federaçoes e associaçoes que fazem parte dela.
Nao perder de vista o trabalho de base, é ponto fundamental para que a organizaçao se fortaleça.
Sair do Claceea com o compromisso de construirmos luta anti-imperialista e socialista.
Ter a pratica como fundamental no processo de formaçao, realizaçao de intercambios.
Propostas levantadas:
- Construçao de uma agenda comum de lutas;
- Fortalecer a organizaçao da Concalea atraves das passadas nos paises;
- As Federaçoes e associaçoes devem trabalhar em seus congressos e encontros o tema da Conclaea;
- Construçao d eum material para rabalho de base;
- Construçao de um espaço de debate na Conclaea sobre a opressao das mulheres;
Cordinacion General: FEAB - Brasil
Cordinacion Norte: México
Cordinacion Sur: AEA - Uruguay
Pre-CLACEEA: FAEA - Argentina
XIX CLACEEA 2009 - FEAC - Colombia
“El camino es sólo una de las cosas
semillas sin tierra no te darán rosas
Faltan los amigos que marcharon lejos
dentro de la tierra, sentimiento adentro
Los dedos crispados sobre un vientre fuerte
buscando la vida en la guitarra madre”
(Ali Primera)
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